IMPLEMENTAÇÃO E EXPANSÃO DA PrEP NO BRASIL: DESIGUALDADES REGIONAIS NO ACESSO, ADESÃO E VULNERABILIDADE AO HIV

Resumo

Diante da persistência da epidemia de AIDS e das limitações da terapia antirretroviral, a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) representa uma importante estratégia de prevenção biomédica. Em 2017, iniciou-se a implantação da PrEP no SUS, de forma progressiva em todo o território nacional. Já em 2018, evidenciaram-se diferenças significativas na distribuição das Unidades Dispensadoras de Medicamentos (UDM) entre as regiões brasileiras. Os dados indicam que regiões com maior infraestrutura em saúde, como o Sudeste, concentraram maior oferta de serviços, enquanto regiões historicamente mais vulneráveis, como o Nordeste, enfrentaram limitações estruturais, logísticas e programáticas que dificultaram a interiorização da profilaxia. Em 2019, a ampliação da oferta da PrEP em municípios estratégicos resultou em queda expressiva nos novos casos de HIV. Contudo, entre 2020 e 2025, observou-se uma oscilação no número de novas infecções, com variações anuais marcadas por aumentos e reduções de casos, dependendo da região. Esse comportamento esteve associado ao elevado número de usuários que descontinuaram o uso da PrEP, bem como aos efeitos da pandemia de COVID-19 em 2020 e 2021, respectivamente. Esse cenário sugere que a vulnerabilidade ao HIV não está relacionada apenas à disponibilidade estrutural das UDM, mas também à adesão ao cuidado. Embora a expansão da PrEP represente um avanço relevante na prevenção combinada ao HIV no Brasil, torna-se necessário investir em ações de educação em saúde, no fortalecimento do acompanhamento dos usuários e na interiorização dos serviços, garantindo maior equidade regional e ampliando o impacto da profilaxia na contenção da epidemia.

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Biografia do Autor

Monica Macedo Bastos

Possui graduação em Engenharia Química pelo Instituto de Química da Universidade do Estado do Rio
de Janeiro (UERJ) (1997), mestrado em Química pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
(2001) e doutorado em Ciências pela mesma instituição (2007). Realizou estágio de pós doutorado na
Universidade de Aveiro, Portugal . É Tecnologista Sênior em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz
(FIOCRUZ).

Nubia Boechat

Possuí Doutorado em química pelo Instituto de Química (IQ) da UFRJ (com estágio ''sanduíche'' na
Universidade de York, Inglaterra), pós doutorado na London School of Hygiene and Tropical Medicine
de Londres, Inglaterra; Mestrado em síntese orgânica (UFRJ). É bolsista em produtividade em pesquisa
do CNPq, Cientista do Nosso Estado (CNE) pela FAPERJ e tecnologista sêni or da Fundaç ão Oswaldo Cruz
(FIOCRUZ). 

Stella Silva Caldeira Duarte

Laboratório de Síntese de Fármacos, Instituto de Tecnologia em Fármacos-Farmanguinhos, Rio de Janeiro

Ana Clara Sousa Costa

Aluna do Programa de Pós-graduação em Farmacologia e Química Medicinal, Instituto de Ciências Biomédicas, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Publicado
2026-06-11
Como Citar
BASTOS, Monica Macedo et al. IMPLEMENTAÇÃO E EXPANSÃO DA PrEP NO BRASIL: DESIGUALDADES REGIONAIS NO ACESSO, ADESÃO E VULNERABILIDADE AO HIV. Revista da Seção Judiciária do Rio de Janeiro - Auditorium, [S.l.], v. 30, n. 64, p. 473-501, jun. 2026. ISSN 2177-8337. Disponível em: <http://lexcult.trf2.jus.br/index.php/revistasjrj/article/view/946>. Acesso em: 12 jun. 2026. doi: https://doi.org/10.30749/2177-8337.v30n64p473-501.
Seção
Dossiê “DIREITO E VULNERABILIDADE SOCIAL”