VULNERABILIDADE SOCIAL E ATUAÇÃO JUDICIAL: FUNDAMENTOS BIOÉTICOS PARA A EFETIVAÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS NO SISTEMA DE JUSTIÇA BRASILEIRO

Resumo

A vulnerabilidade social constitui fenômeno estrutural que impacta diretamente a efetividade dos direitos fundamentais e desafia a atuação do Poder Judiciário brasileiro. Em uma sociedade marcada por profundas desigualdades econômicas, raciais, territoriais e informacionais, a igualdade formal revela-se insuficiente para assegurar acesso real à tutela jurisdicional. O presente artigo analisa a atuação judicial em contextos de vulnerabilidade social, propondo a incorporação da bioética como critério hermenêutico e parâmetro decisório no âmbito do Poder Judiciário. Parte-se da premissa de que a jurisdição constitucional não pode limitar-se à aplicação abstrata da norma, devendo considerar as condições concretas dos sujeitos envolvidos nos conflitos, os impactos institucionais das decisões e os limites decorrentes da separação de Poderes e da reserva do possível. O estudo adota abordagem qualitativa, de natureza teórico-dogmática e crítico-reflexiva, com base em revisão bibliográfica, análise normativa e exame de precedentes paradigmáticos do Supremo Tribunal Federal — como a ADPF 347/DF, relativa ao estado de coisas inconstitucional no sistema penitenciário, e o RE 566.471/RN, sobre judicialização da saúde —, além da avaliação de políticas judiciais do Conselho Nacional de Justiça, à luz de dados institucionais e diretrizes voltadas ao tratamento adequado de conflitos e à inclusão digital. Sustenta-se que a integração entre vulnerabilidade social, acesso à Justiça e bioética permite qualificar a fundamentação judicial, fortalecer a legitimidade institucional e oferecer parâmetros argumentativos úteis à magistratura na condução de demandas envolvendo políticas públicas sensíveis, sem afastar os limites constitucionais da intervenção judicial. Conclui-se que a consolidação de um Judiciário comprometido com a igualdade material exige formação ética continuada, fundamentação qualificada, responsabilidade institucional e atuação proporcional, evitando tanto o formalismo excludente quanto a judicialização excessiva de políticas públicas.

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Biografia do Autor

William Candido Cerqueira
 

William Candido Cerqueira é Assistente Social e Servidor Público Federal, com trajetória marcada pelo compromisso com a ética, a responsabilidade social e a promoção do cuidado em saúde. Atualmente é mestrando em Vigilância em Saúde pela Universidade Iguaçu (UNIG/RJ), desenvolvendo estudos voltados às interfaces entre saúde coletiva, bioética e práticas profissionais no âmbito do Sistema Único de Saúde. Sua atuação integra experiência técnica, sensibilidade social e formação acadêmica contínua, refletindo dedicação ao fortalecimento das políticas públicas e à qualificação da assistência em saúde.

Edith Maria Marques Magalhães

Doutora em Educação, na linha de Pesquisa Currículo e Linguagem, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Mestre em Educação na área de concentração Educação e Cultura Contemporânea, linha de pesquisa Representações Sociais e Práticas Educativas, pela Universidade Estácio de Sá. Pós-Graduada em Administração Escolar (UNIVERSO) e Docência do Ensino Superior (UNIG). Graduada em Matemática e Pedagogia (UNIG). Atuosa como secretária (2005-08), coordenadora (2009-11) e membro do Grupo de Apoio Técnico (2009-19) da Comissão Própria de Avaliação. Atualmente Coordenadora e professora titular do Curso de Pedagogia, Membro do Núcleo Docente Estruturante (NDE) do curso de Pedagogia, membro do Comitê de Ética, Membro da Comissão Permanente de Supervisão e Acompanhamento (CPSA) do Fundo de Desenvolvimento ao Estudante do Ensino Superior (FIES), Líder do Grupo de Pesquisa Gestão Escolar e Políticas Públicas e membro do Grupo de Pesquisa Práticas Pedagógicas, Currículos e Espaços de Formação, membro do Núcleo de Desenvolvimento Educacional (NuDE), Supervisora ​​editorial da Revista Eletrônica Saberes Múltiplos da Universidade Iguaçu. É Coordenadora Institucional desde 2018 do Programa de Residência Pedagógica (CAPES).Tem experiência na área de Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: Representações Sociais, Políticas Públicas, Trabalho e Formação Docente, Metodologia, Currículo, Avaliação e Diversidades. Avaliadora de artigos na II Jornada Ibero-Americana de Pesquisas em Políticas Educacionais, Argumentos Pró-Educação APE UNIVAS, Atos de Pesquisa em Educação FURB, REA Revista Estudos Aplicados em Educação, Revista Teias, Revista Estudos Brasileiros Pedagógicos e Experiências Interdisciplinares na Educação (Natal/RN - 2017), dentre outras revistas periódicas.

Paula Fernanda Chaves Soares

Engenheira Agrônoma com Mestrado, Doutorado (sanduíche na University of Guelph Canadá) e Pós-Doutorado em Agronomia (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - UFRRJ), além de formação em Ciências Biológicas e Especialização em Engenharia Ambiental (Universidade Iguaçu - UNIG). É professora e pesquisadora da Universidade Iguaçu, atuando nos cursos de Engenharia Civil e Medicina Veterinária, no Programa de Iniciação Científica e no Programa de Pós-Graduação em Vigilância em Saúde. Professora Colaboradora no Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM) no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Local. Sua trajetória acadêmica e profissional consolidou uma expertise singular na interface entre agronomia, políticas ambientais, direitos sociais e saúde pública, campo no qual desenvolve pesquisas que articulam ciência do solo, desenvolvimento territorial sustentável, mudanças climáticas e saúde da população. No Grupo de Pesquisa Engenharia e Sociedade, conduz estudos interdisciplinares com impactos reais no território, que analisam como processos ecológicos, dinâmicas territoriais e vulnerabilidades sociais se entrelaçam, contribuindo para a formulação de políticas públicas socioambientais mais justas, estando alinhadas com diversos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Coordena projetos voltados ao fortalecimento da agricultura familiar, com estratégias de mitigação e adaptação às mudanças climáticas (Japeri), recuperação de áreas degradadas por erosão e redução de risco de desastres (Nova Iguaçu) e monitoramento de contaminação por agrotóxicos hexaclorociclo-hexano (Duque de Caxias). Seus estudos contemplam avaliação de riscos socioambientais, construção de indicadores de impactos ambientais e análises territoriais aplicadas ao desenvolvimento sustentável, enfatizando a relação entre degradação ambiental, vulnerabilidade social, garantia de direitos e saúde pública na Baixada Fluminense. Possui experiência em adaptação e mitigação climática, redução de riscos de desastres, resiliência comunitária e metodologias participativas, áreas nas quais sua capacidade de integrar conhecimentos agronômicos com políticas ambientais e direitos sociais se mostra essencial para compreender e enfrentar desigualdades socioambientais com foco na saúde coletiva. No setor público, atuou como Assessora Técnica de Ambiente na Prefeitura de Nova Iguaçu e na Diretoria de Agricultura da Fundação de Desenvolvimento Social de Belford Roxo, contribuindo para a implementação de soluções socioambientais alinhadas às demandas reais de populações vulneráveis. Participou também do Comitê de Bacia Hidrográfica da Baía de Guanabara e do Conselho Municipal de Políticas Urbanas de Nova Iguaçu, colaborando na construção de políticas públicas integradas para o desenvolvimento territorial sustentável. Compreende que o território funciona como um sistema interconectado, no qual o manejo e a conservação do solo influenciam diretamente às mudanças climáticas, a segurança e a qualidade de vida das comunidades.

Publicado
2026-06-11
Como Citar
CERQUEIRA, William Candido; MAGALHÃES, Edith Maria Marques; SOARES, Paula Fernanda Chaves. VULNERABILIDADE SOCIAL E ATUAÇÃO JUDICIAL: FUNDAMENTOS BIOÉTICOS PARA A EFETIVAÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS NO SISTEMA DE JUSTIÇA BRASILEIRO. Revista da Seção Judiciária do Rio de Janeiro - Auditorium, [S.l.], v. 30, n. 64, p. 376-407, jun. 2026. ISSN 2177-8337. Disponível em: <http://lexcult.trf2.jus.br/index.php/revistasjrj/article/view/938>. Acesso em: 12 jun. 2026. doi: https://doi.org/10.30749/2177-8337.v30n64p376-407.
Seção
Dossiê “DIREITO E VULNERABILIDADE SOCIAL”